Giro: Uma queda "ofereceu" a vitória a Ballerini em dia sem sobressaltos para Eulálio

Ballerini festeja
Ballerini festejaReuters

O caos regressou esta quinta-feira à Volta a Itália, ainda liderada por Afonso Eulálio, com uma queda a marcar os últimos metros e a oferecer a vitória na sexta etapa ao ciclista italiano Davide Ballerini (XDS Astana).

Após o atribulado final da véspera, hoje a chegada a Nápoles parecia encaminhada para um sprint sem sobressaltos, mas uma queda a uns 300 metros da meta, no escorregadio paralelo, desorganizou os homens rápidos e deixou Ballerini isolado, com o italiano a estrear-se a vencer em grandes Voltas após ‘aguentar’ a aproximação de Jasper Stuyven.

O belga ficou à frente do ciclista que devia lançar, o francês Paul Magnier, já que o sprinter da Soudal Quick-Step foi ‘travado’ pela queda e teve de contentar-se com o terceiro lugar, com as mesmas 03:19:30 horas do vencedor, no final dos 142 quilómetros desde Pasteum.

Hoje não estava nos planos (lutar pela etapa), mas (…), na última curva, vi que os tipos da frente caíram e no rádio disseram-me 'vai, vai, vai'. Consegui, estou muito feliz”, resumiu o experiente italiano da XDS Astana.

Afonso Eulálio (Bahrain Victorious) chegou ileso à meta e manteve a maglia rosa e a diferença para os perseguidores na geral: o espanhol Igor Arrieta (UAE Emirates) é segundo, a 02.51 minutos, e o italiano Christian Scaroni (XDS Astana) fecha o pódio, a 03.34,

O final caótico da sexta tirada contrastou com a tranquilidade da jornada, em que Edward Planckaert e Luca Vergalito, ambos da Alpecin-Premier Tech, saltaram para a frente da corrida quando estava decorrida apenas uma dezena de quilómetros, já depois de Jonathan Milan (Lidl-Trek) ter caído com o seu lançador Matteo Sobrero.

O duo foi rapidamente alcançado pelos italianos Martin Marcellusi e Manuele Tarozzi (Bardiani CSF 7 Saber) e Mattia Bais (Polti VisitMalta), três incontornáveis das fugas neste Giro, que, no entanto, tiveram dificuldade em ganhar uma margem confortável para o pelotão, sobretudo depois de perderem Planckaert.

A pouco mais de 100 quilómetros da meta, Nelson Oliveira (Movistar) caiu numa curva, mas prontamente retomou a marcha, ao contrário de Nico Denz (Red Bull-BORA-hansgrohe), que pareceu atordoado, mas recebeu luz verde para seguir.

Condenada desde a sua formação, a fuga acabou a 35 quilómetros da meta, com o resto da etapa a decorrer sem sobressaltos até aos derradeiros metros: na última curva, Elmar Reinders e Dylan Groenewegen, da Unibet Rose Rockets, deslizaram no paralelo escorregadio e caíram, derrubando, entre outros, Orluis Aular (Movistar) e Tobias Lund Andresen (Decathlon).

Magnier escapou por pouco, mas Milan ainda foi com a mão ao chão, ficando impossibilitado de discutir a etapa – e já vão três hipóteses desperdiçadas por aquele que era considerado o favorito para as chegadas ao sprint.

O azar de uns foi a sorte de Davide Ballerini, que “finalmente” triunfou numa ‘grande’, à nona participação. “É muito importante, porque trabalhamos muito para isto e, no ciclismo, há sempre alguns problemas. Especialmente quando não esperamos, aparece a vitória”, concedeu.

O figueirense da Bahrain Victorious cortou a meta ao lado de Jonas Vingegaard (Visma-Lease a Bike) e integrado no pelotão, que foi creditado com o mesmo tempo do vencedor apesar dos cortes provocados pela queda, sendo António Morgado (UAE Emirates) o melhor português da etapa, no 24.º lugar.

Na sexta-feira, Eulálio enfrentará o seu primeiro teste nos longuíssimos 244 quilómetros entre Formia e o alto do Blockhaus, onde a meta coincide com uma contagem de montanha de primeira categoria à qual os ciclistas chegam após 13,6 quilómetros a subir, com uma pendente média de inclinação de 8,4%.

"Vamos ver amanhã (sexta-feira) se estou na frente ou em dificuldades", disse o camisola rosa, na flash-interview.

Nelson Oliveira vai partir para a primeira etapa de montanha, e sétima da 109.ª edição da corsa rosa, na 58.ª posição da geral, a 20.01 minutos do seu jovem compatriota de 24 anos, enquanto António Morgado o fará no 136.º lugar, a 44.43.

Mais importante do que a distância para os outros portugueses é a diferença que Eulálio tem para os favoritos ao triunfo final, que estão todos a mais de seis minutos, nomeadamente Vingegaard, que é 15.º classificado, a 06.22.